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I've felt the weight of stigma firsthand. It wasn't something immediate, like a slap in the face. It was a silent buildup—a collection of glances, implied comments, subtle distancing that I didn’t understand at the time but that, little by little, built an invisible wall around me.
When I left an abusive relationship, I expected to feel relief. The worst was over, right? But suddenly, I realized that the invisible marks he left on me weren’t the only ones I’d have to deal with. The world out there wasn’t as welcoming as I had imagined. There was always that judgmental look, that tone of voice that carried a “Why did you stay so long?” or “I’d never let that happen to me.” As if understanding the complexity of trauma were as simple as flipping a switch.
Stigma hurts because it doesn’t let you forget. It reduces you to what happened to you, as if your whole story was written on a single page. And I refused to accept that. But how do you get past it? How do you break out of a bubble that often traps us without us even noticing?
The first thing I learned was to retell my own story. People love to label you, to decide what something should mean to you. “Oh, you’re the one who went through that.” But I’m not just that. I’m the one who hit the road alone to breathe in new air, the one who can’t pass a dog on the street without stopping to give it affection. My past doesn’t define me. It’s part of me, but it’s not my destiny.
Another thing that helped me was choosing who I shared my vulnerability with. Not everyone deserves access to the most sensitive parts of us. And that’s okay. Sometimes we want to be understood by people who will never truly get it. The key is to find the ones who genuinely care, the ones who look at you and see beyond the pain, beyond what happened. I found that gaze in just a few people—and that was enough.
And then there’s time. Ah, time. It doesn’t heal everything, but it teaches. It teaches that what felt overwhelming yesterday can become just a memory tomorrow. It teaches that other people’s words only carry the weight we allow them to. It teaches that moving forward doesn’t mean erasing the past, but redefining it.
If I could offer a piece of advice to anyone facing any kind of stigma, it would be this: occupy your story before others try to occupy it for you. Take your narrative back. You don’t have to prove anything to anyone, but you do have to remind yourself, every single day, that your story is yours. That you are not a label. That you are so much more than what happened to you.
And if, by any chance, the world makes you feel like you’re just a page of pain—turn that page. Write the next one. And then another. Until the pain becomes just a detail in an incredible book—yours.
Já senti na pele o peso do estigma. Não foi algo imediato, como um tapa na cara. Foi uma construção silenciosa, um acúmulo de olhares, de comentários implícitos, de afastamentos que eu não entendia na hora, mas que, aos poucos, formavam uma parede invisível ao meu redor.
Quando saí de um relacionamento abusivo, esperava encontrar alívio. O pior já tinha passado, certo? Mas, de repente, percebi que as marcas invisíveis que ele deixou em mim não eram as únicas com as quais eu teria que lidar. O mundo lá fora não era tão acolhedor quanto eu imaginei. Sempre tem aquele olhar de julgamento, aquele tom de voz que carrega um “por que você ficou tanto tempo?” ou um “eu jamais deixaria isso acontecer comigo”. Como se entender a complexidade de um trauma fosse tão simples quanto apertar um interruptor.
O estigma dói porque ele não te permite esquecer. Ele te reduz àquilo que aconteceu com você, como se sua história estivesse escrita em uma única página. E eu me recusava a aceitar isso. Mas como superar? Como furar essa bolha que, muitas vezes, nos aprisiona sem que percebamos?
A primeira coisa que aprendi foi a recontar minha própria história. As pessoas adoram colocar rótulos e determinar o que algo significa para você. “Ah, mas você é aquela que passou por isso”. Mas eu não sou só isso. Eu sou quem pegou estrada sozinha para respirar novos ares, sou quem não pode ver um cachorro na rua sem fazer um carinho. Meu passado não me define. Ele é parte de mim, mas não é meu destino.
Outra coisa que me ajudou foi escolher com quem dividir minha vulnerabilidade. Nem todo mundo merece acesso ao que há de mais sensível em nós. E tá tudo bem. Às vezes, queremos ser compreendidos por quem nunca vai nos entender. O segredo é encontrar aqueles que realmente se importam, aqueles que olham para você e enxergam além da dor, além do que aconteceu. Eu encontrei esse olhar em algumas poucas pessoas – e isso foi suficiente.
E tem o tempo. Ah, o tempo. Ele não cura tudo, mas ensina. Ensina que o que parecia esmagador ontem pode ser apenas uma lembrança amanhã. Ensina que as palavras dos outros só têm o peso que a gente permite que elas tenham. Ensina que seguir em frente não significa apagar o passado, mas ressignificá-lo.
Se eu pudesse dar um conselho para quem enfrenta qualquer tipo de estigma, seria esse: ocupe sua história antes que os outros tentem ocupá-la por você. Pegue de volta a narrativa. Você não precisa provar nada para ninguém, mas precisa lembrar a si mesmo, todos os dias, que sua história é sua. Que você não é um rótulo. Que você é muito mais do que aquilo que te aconteceu.
E, se por acaso, o mundo te fizer sentir que você é só uma página de dor, vire essa página. Escreva a próxima. E depois outra. Até que a dor se torne apenas um detalhe em um livro incrível – o seu.
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That's the thing with our world. We always want to have a say, and we find a way to blame people's situation on them even when they're the victims. It's a disgusting behavior and I wished we did better.
Sempre vão ter olhares por onde andamos, as vezes lê-las coisas mais simples possíveis, mas o importante é o modo como reagimos a eles.
I agree with you that one should be careful about sharing weaknesses, because some selfish people turn weaknesses into ridicule later.